Quanto arriscar: o risco até o stop e o teto da carteira
Como medir o risco de cada posição até o stop, definir o tamanho a partir dele e escolher um teto de risco total para a carteira.
Objetivo: medir o risco de cada posição até o stop, definir o tamanho a partir dele e comparar a soma dos riscos com um teto para a carteira. Pré-requisitos: aula 1 (Antes de procurar entradas). Nível: iniciante. Os números são de uma simulação com patrimônio fictício de R$ 100 mil. Material educacional: toda operação pode perder, e limitar o risco não impede perdas.
O risco é a distância até o stop vezes a quantidade
O stop é o preço em que você sai se o mercado for contra você; o risco da posição é o que você perde ao sair nele: quantidade × (preço − stop). Na simulação, o Ativo A custa R$ 50 e o stop está em R$ 46, a R$ 4 de distância. Com 250 ações, o risco até o stop é de R$ 1.000.
Se o Ativo A sobe para R$ 54 e o stop sobe para R$ 52, o risco aberto cai para R$ 500: 250 × (54 − 52). Como esse stop está acima da entrada de R$ 50, sair ali ainda deixa um ganho de R$ 500: um stop acima do preço de entrada trava lucro e reduz o risco aberto.
O tamanho sai do risco
Decida primeiro quanto aceita perder e divida esse valor pela distância até o stop: tamanho = risco aceito ÷ (entrada − stop).
No exemplo, o risco aceito é 1% do patrimônio simulado, ou R$ 1.000. Com entrada em R$ 50 e stop em R$ 46, o tamanho é R$ 1.000 ÷ R$ 4 = 250 ações. Com o stop em R$ 40, a distância seria R$ 10 e o tamanho cairia para 100 ações, com o mesmo risco de R$ 1.000: stop mais longe, posição menor.
O teto de risco total: 6% e 10% lado a lado
O risco total é a soma do risco até o stop de todas as posições abertas, já que os stops podem ser atingidos juntos. O teto de risco total (portfolio heat) é o limite que você escolhe para essa soma, como parte do patrimônio; a diferença entre o teto e o risco total é a folga para posições novas.
Veja 4 posições abertas, cada uma arriscando 1%, ou R$ 1.000: o risco total é de R$ 4.000, ou 4%, nos dois casos. Com teto de 6%, a folga é de 2% e cabem mais 2 posições de 1%. Com teto de 10%, a folga é de 6% e cabem mais 6.
Não existe número certo para todo mundo. O teto depende de quanto você aguenta perder e de quão parecidas são as posições.
Posição sem stop
Uma posição sem stop distorce a soma dos riscos. Uma convenção é o stop implícito pela volatilidade: preço − 2,5 × ATR, em que a amplitude média verdadeira (ATR, average true range) é a oscilação diária típica recente do ativo.
O Ativo B está em R$ 80 e o ATR é R$ 2: o stop implícito fica em R$ 75, a R$ 5 de distância, e as 100 ações contam R$ 500 de risco no teto. Coloque o stop real ou reduza a posição.
Alavancagem pela volatilidade
Alavancagem (leverage) é investir mais do que o patrimônio: 1,5x são R$ 150 mil investidos com R$ 100 mil de patrimônio. O teto da alavancagem é 1,5x, e a exposição nunca passa disso.
Multiplicador de volatilidade é a volatilidade-alvo, o nível de oscilação que o motor busca, dividida pela volatilidade realizada nos últimos 20 pregões, com teto de 1,5. O motor calcula um multiplicador para o SPY e outro para o QQQ, fundos de índice usados como referência, e vale o menor dos dois. Se a realizada é 1,25 vez o nível-alvo, o multiplicador é 0,8; ele só passa de 1 quando ela fica abaixo desse nível.
Dois filtros agem de modo diferente. O de longo prazo zera o multiplicador quando SPY ou QQQ fecha na média de 200 sessões (ou abaixo) ou tem variação de 12 meses não positiva: não há entrada nova nem alavancagem, e as posições abertas seguem com os seus stops. O teste de 50 sessões só decide se passa de 1x: o SPY fecha acima da média de 50 sessões, e essa média está acima da de cinco sessões antes. Sem ele, a exposição é o menor valor entre o multiplicador e 1x: com multiplicador 0,8, a exposição simulada é de R$ 80 mil; com 1,3, seria de R$ 100 mil.
Onde o stop falha
O teto supõe que os stops sejam executados perto do preço combinado.
Gap na abertura (salto entre fechamento e abertura): o ativo fecha em R$ 50 e abre no dia seguinte em R$ 41. O stop em R$ 46 não vende a R$ 46; a saída ocorre perto de R$ 41, e a perda, contada da entrada, é 250 × (50 − 41) = R$ 2.250, acima dos R$ 1.000 aceitos.
Nomes correlacionados: ativos do mesmo setor podem cair juntos. Se seis posições parecidas disparam os stops no mesmo dia, os seis riscos de 1% se realizam: R$ 6.000.
Chamada de margem (margin call): com alavancagem, uma queda forte pode obrigar o corretor a fechar posições antes de o seu stop ser atingido, no preço que ele conseguir.
O teto estima o risco em condições normais e não garante um limite de perda.
Para guardar: risco = distância até o stop × quantidade; tamanho = risco aceito ÷ distância; soma dos riscos abaixo do teto escolhido.
Fonte: regras e motor de risco do Valtese.
O que observar
Antes de abrir uma posição, escreva a distância até o stop, o tamanho, o risco em reais e a soma dos riscos de tudo que já está aberto. Compare a soma com o seu teto, com 6% e com 10%, e marque as posições sem stop e as correlacionadas. Depois imagine um gap de 10% a 15% abaixo de cada stop e calcule a perda da carteira.