Como as carteiras são montadas
Quinze nomes com peso igual, tetos por setor sem redistribuição, cadência semanal e exposição escalada pela volatilidade: a regra comum das carteiras-modelo.
As carteiras-modelo do Valtese são listas de ações com pesos, recalculadas uma vez por semana. Elas não são o motor de entradas, que produz operações com stop e alvo, nem o placar do Discovery, que ordena candidatas, nem o score de convicção, que acompanha posições. Os quatro são distintos; as carteiras consomem candidatas do Discovery e de outros scanners, mas aplicam uma regra própria de composição. Esta aula descreve essa regra, comum às carteiras momentum e smart money.
Como funciona
Toda semana, a carteira recebe uma lista de candidatas com setor e notas. Quando a mesma ação aparece em mais de uma fonte, prevalece a fonte de maior precedência: primeiro o Discovery, depois o scanner de líderes, depois o scanner de rompimentos. Candidatas sem a nota principal da carteira são descartadas antes da ordenação.
A ordenação depende da carteira. A momentum ordena pela nota de força relativa, desempata por uma nota de qualidade e, por fim, pelo símbolo em ordem alfabética, para que duas rodadas com a mesma entrada produzam a mesma lista. A smart money ordena pela nota de smart money do Discovery e desempata pelo símbolo.
A seleção percorre o ranking de cima para baixo. Cada ação aceita recebe o mesmo peso, um quinze avos, até completar quinze nomes. Há um teto de nomes por setor: quando um setor já está cheio, a próxima ação daquele setor é pulada e a seguinte do ranking é examinada. Ação sem setor conhecido entra numa categoria própria e obedece ao mesmo teto.
Duas escolhas dessa regra merecem atenção. Primeiro, não há redistribuição de sobra: se o ranking acabar com doze nomes elegíveis, a carteira fica com doze posições de um quinze avos cada e o resto em caixa. Não se aumenta o peso dos que entraram. Segundo, o peso é igual em dinheiro, não em risco: uma ação mais volátil pesa mais no resultado do que uma ação calma com o mesmo peso.
A exposição total não é fixa. Cada carteira tem um ativo de referência, o QQQ para a momentum e o SPY para a smart money, e um multiplicador calculado a partir da volatilidade realizada desse ativo. Volatilidade alta reduz o multiplicador; volatilidade baixa o aumenta, até um limite acima de um. O peso de cada posição é o peso igual vezes esse multiplicador. Quando o multiplicador é zero, tudo fica em caixa. Exemplo didático: doze nomes × 1/15 × multiplicador 0,5 = 40% investidos; cada posição recebe aproximadamente 3,33% e sobram 60% em caixa.
Se o multiplicador leva a exposição acima de cem por cento do patrimônio, a diferença é financiada e paga uma taxa anual sobre a parte financiada, capitalizada dia a dia. O caixa não rende. A ordem é executada no primeiro pregão depois do sinal de sábado, ao fechamento, e a composição vale até o próximo rebalanceamento completo.
Onde falha
As páginas das carteiras mostram composição e trajetória de poucos meses de 2026, guardadas semana a semana; esse histórico é curto demais para publicar um retorno anual, por isso nenhum é publicado. A nota de qualidade, usada como desempate da momentum, não existia nesse histórico; a regra viva usa as duas. No cálculo da trajetória, o financiamento usa uma taxa anual hipotética de 5% sobre a parte financiada, capitalizada dia a dia; essa hipótese ainda não foi verificada.
A regra é simples de propósito, e a simplicidade tem custo. Peso igual em dinheiro concentra risco nas ações mais voláteis. O teto setorial depende da classificação de setor do fornecedor de dados; uma ação classificada errado ocupa a vaga errada. A falta de redistribuição deixa caixa parado quando faltam candidatas, o que protege em mercados fracos e atrasa em mercados fortes.
O multiplicador de volatilidade olha para trás: uma queda súbita chega com a exposição ainda alta, e a redução vem na semana seguinte. Um rebalanceamento semanal ao fechamento ignora tudo o que acontece dentro da semana. E a reprodução não modela slippage, comissão, empréstimo nem dividendos; só o financiamento acima de cem por cento.
O que observar
Na página das carteiras, conte os nomes: menos de quinze significa que o ranking acabou ou que os tetos setoriais barraram candidatas, e o resto está em caixa por regra. Some os pesos e compare com o multiplicador da semana: uma soma acima de cem por cento indica parte financiada e custo de juros. Veja o setor de cada posição e confira se algum setor bate no teto. Compare a composição desta semana com a anterior: uma troca grande de nomes numa semana normal sugere que muitas candidatas estavam perto da margem do ranking. Lembre que composição publicada não é ordem executada; a página mostra a regra, não um extrato de conta.
O produto publica a composição e a regra de cada carteira-modelo em Carteiras.