Carteiras macro
Sete regras independentes em SPY, QQQ, ouro, bitcoin e ether, dois esquemas de peso, e os custos e substitutos declarados no teste histórico.
As carteiras macro são diferentes das outras duas carteiras-modelo. Não escolhem ações: operam poucos instrumentos amplos, índices, ouro e cripto, com regras de preço fixas, e o que muda é o peso de cada regra. Elas não são o motor de entradas, que produz operações diárias, nem o placar do Discovery, que ordena ações, nem o score de convicção; os instrumentos são distintos. Esta aula explica as sete regras, os dois esquemas de peso e os limites do teste histórico em que foram definidas.
Como funciona
Cada regra, chamada de strand, é um par de um sinal e um veículo. O sinal é calculado numa série de preço; o veículo é o instrumento que a carteira negocia. Há três famílias de regra.
A primeira é o seguimento de tendência com alvo de volatilidade, aplicada a bitcoin e a ether: um conjunto de médias de prazos diferentes vota se o ativo está em tendência de alta; com votos suficientes a posição abre, e o tamanho é ajustado para que a volatilidade da posição fique perto de um alvo, entre um piso e um teto de alavancagem. A segunda é o regime de volatilidade, aplicada ao SPY e ao ouro: a exposição depende de o preço estar acima de uma média longa e da volatilidade recente. A terceira é a compra em queda pelo RSI, aplicada ao SPY e ao QQQ: com o preço acima de uma média longa e o RSI curto muito baixo, a regra compra e sai quando o RSI se recupera, com stop.
A sétima regra é um short de crise em bitcoin, vendido via futuro: entra vendida quando a tendência vira e vários sinais concordam, buscando compensar parte das quedas das posições compradas, sem garantir essa compensação.
Os dois esquemas de peso dividem o capital entre as sete regras. Na versão denominada paridade de risco, o peso é inversamente ligado à volatilidade individual. Isso não iguala contribuições ao risco total: correlações e exposições efetivas também importam; na versão de peso igual, cada regra recebe a mesma fração. Os pesos são constantes e a carteira é rebalanceada nas sessões americanas. Cada strand mantém sua exposição do momento da entrada até a saída; a alavancagem bruta total tem um teto.
Onde falha
O teste histórico das regras usou a janela de 2016 a 2021. Os custos foram assumidos, não estimados, e declarados antes do teste: margem anual sobre o que é financiado, slippage sobre cada mudança de exposição, funding anual sobre a perna vendida de perpétuo, comissão de sinal e de realocação, com as ações pagando menos por lado do que cripto. A execução é ao fechamento da sessão americana, e a carteira nunca liquida posições no fim da janela. Os veículos de cripto de hoje não existiam em 2016: IBIT foi substituído pelo preço à vista do bitcoin, ETHA pelo do ether e o futuro /MBT pelo bitcoin à vista, à escala um, sem reconstruir tracking, prêmio ou basis.
A janela termina em 2021: tudo o que aconteceu depois, incluindo a queda de cripto de 2022 e a alta seguinte, fica fora do teste. O backteste é uma especificação fixa avaliada uma vez, sem otimização declarada, mas as sete regras foram escolhidas com a história de bitcoin conhecida.
Os proxies são a maior ressalva. A perna vendida combina o preço do bitcoin à vista com o custo de funding de um perpétuo: preço e custo pertencem a instrumentos diferentes. O ether tinha pouco histórico no começo de 2016, e a regra de ether ficou parada nas primeiras semanas por falta de aquecimento; sua entrada aconteceu depois de uma alta grande do ativo. A comissão pesa mais na macro do que nas outras carteiras, o que torna a comparação entre carteiras desigual, contra a macro.
Um alvo de volatilidade e uma alavancagem acima de um significam que a carteira pode perder mais rápido do que o índice num choque que a volatilidade recente não antecipou. A paridade de risco pode concentrar peso numa regra que estava calma e deixa de estar. E o que uma regra fez entre 2016 e 2021 não é propriedade permanente da carteira.
O que observar
Na página da carteira macro, veja a exposição de cada strand e a alavancagem bruta da semana; some os valores absolutos das exposições efetivas para conferir o teto. Exemplo didático: +80% comprado e −30% vendido dão 110% bruto e 50% líquido. Pesos de capital não bastam, pois cada regra pode carregar alavancagem própria. Identifique qual esquema de peso está publicado, paridade de risco ou peso igual, e como as duas versões divergem quando cripto está volátil. Veja se a perna vendida de bitcoin está ativa: ela pode estar ativa numa virada de tendência, sem garantir proteção às outras posições. Note que os veículos de cripto são ETFs e futuro, não moeda à vista, e que o backteste não os continha. E leia o teste histórico como o que ele é: um recorte de 2016 a 2021, não uma medição do período em que você está olhando.
O produto publica a exposição por strand e a trajetória desta família em Carteira macro.